Mineiros descobrem “botox” à base de veneno de cobra

Publicado em: 10, agosto, 2015

Dr. Geraldo de Barros Ribeiro, médico, coordenador da Oftalmologia do Hospital Infantil São Camilo participa de grupo de pesquisa para desenvolver botox a base de veneno de cobra. Confira a reportagem abaixo.

Pesquisadores de Minas Gerais desenvolveram um medicamento à base de veneno de cobra cascavel que age como bloqueador neuromuscular, efeito semelhante ao da toxina botulínica (Botox).

Chamada crotoxina, a substância está sendo testada no tratamento do estrabismo, distúrbio que afeta o paralelismo entre os dois olhos.

Hoje, uma opção de tratamento são aplicações de toxina botulínica. É muito utilizado por mulheres. Ela causa paralisia transitória do músculo. O relaxamento muscular ajuda a restaurar o equilíbrio nos músculos que controlam o movimento dos olhos.

Mineiros descobrem botox à base de veneno de cobra 

A pesquisa está sendo desenvolvida por meio de parceria entre a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), as secretarias de Estado da Saúde e de Ciência e Tecnologia de Minas, com apoio do Sebrae Minas.

Segundo a farmacêutica Ana Elisa Ferreira, foram feitos testes laboratoriais e com coelhos. Agora, a equipe busca mais parcerias para realizar outros testes ainda na fase experimental (como de toxicidade entre outros). O investimento estimado é de R$ 1 milhão. Só depois vão acontecer os testes em humanos.

Ana diz que, nos primeiros testes com animais, a neurotoxina apresentou vantagens sobre a toxina botulínica. “Os efeitos parecem ser mais duradouros, tornando as aplicações menos frequentes.”

Para oftalmologista Geraldo de Barros Ribeiro, da UFMG, a crotoxina pode ser uma opção quando o paciente não responde mais às aplicações da toxina botulínica.

“O botox causa uma reação imunológica [formação de anticorpos]e, após algumas aplicações, deixa de fazer o efeito desejado. Teoricamente, a crotoxina é menos imunogênica e deverá estimular menos a formação de anticorpos.”

A crotoxina é a principal toxina do veneno da cascavel sul-americana. Já a toxina botulínica é obtida de uma bactéria (Clostridium botulinum).

Segundo Ribeiro, o grupo já tem aprovação do comitê nacional de ética para testar a crotoxina também nas áreas de dermatologia e neurologia, nas quais a toxina botulínica é amplamente usada.

Um dos tratamentos é para as distonias musculares, distúrbio caracterizado por espasmos musculares involuntários. Quando aplicada em pequenas doses, a toxina bloqueia a liberação de acetilcolina (neurotransmissor responsável por levar as mensagens elétricas do cérebro aos músculos) e, como resultado, o músculo não recebe a mensagem para contrair.

Fonte: Folha de São Paulo.